História PBA

A história de Piracanjuba

Do antigo arraial de Pouso Alto à terra que deu nome a um dos leites mais conhecidos do Brasil e que Goiás reconhece como Capital das Orquídeas. Um retrato da cultura, da fé, das festas e das curiosidades de um município do coração de Goiás.

Piracanjuba em números

Dados oficiais do IBGE — atualizados anualmente

População estimada

25.373

Estimativa 2025

PIB per capita

R$ 319.956

Referência 2021

PIB total

R$ 1.311.747.000

Contas Regionais 2023

Região

Meia Ponte

Sul Goiano

IBGE — Cidades, Estimativas de População e PIB Municipal.

A origem do nome

Piracanjuba vem do tupi e significa, em tradução corrente, “peixe de cabeça amarela”: pira (peixe) + (cabeça) + juba (amarelo). O nome é o mesmo de um peixe nativo, a piracanjuba (Brycon orbignyanus), que chega a 80 cm e mais de 6 kg e é um grande migrador dos rios da bacia do Paraná.

Curiosamente, esse peixe que batiza a cidade está hoje criticamente ameaçado de extinção, vítima de barragens, perda de matas ciliares e pesca excessiva. O nome carrega, assim, um lembrete da relação entre o desenvolvimento e a natureza do Cerrado.

De Pouso Alto a Piracanjuba

O povoado nasceu à beira da estrada que ligava São Paulo ao interior de Goiás, na esteira da mineração de ouro de Santa Cruz de Goiás. O nome Pouso Alto não veio de ser um ponto de hospedagem, como muitos pensam: era o nome da fazenda de Francisco José Pinheiro, que em 1831 mandou erguer, às suas custas, a capela (orago) em devoção a Nossa Senhora da Abadia. Aos poucos, o lugarejo que se formava passou a ser chamado pelo nome da fazenda.

A formação do núcleo urbano juntou vários fatores: as terras já ocupadas, a capela como ponto de referência, o aumento do fluxo de viajantes (a ocupação de Campinas a partir de 1810 e a epidemia de varíola em Meia Ponte, hoje Pirenópolis, em 1811 desviaram as rotas) e o fim do ouro em Santa Cruz de Goiás. Em 22 de novembro de 1855, a lei provincial nº 21 criou o distrito de Pouso Alto, a partir de terras de Santa Cruz de Goiás e de Bomfim (Silvânia); na mesma data nascia a paróquia de Nossa Senhora da Abadia.

Em 1869, o lugar foi elevado a vila com o nome de Nossa Senhora da Abadia (instalada em 1874) e, em 18 de novembro de 1886 (lei provincial nº 786), à categoria de cidade já com o nome de Piracanjuba, em referência ao peixe da região. O nome ainda foi e voltou: em 1907 a cidade tornou a se chamar Pouso Alto (lei nº 312) e só em 31 de dezembro de 1943 voltou em definitivo a Piracanjuba (decreto-lei nº 8.305). Antigos distritos seus se emanciparam: Cromínia e Mairipotaba em 1953, e Campo Limpo (hoje Professor Jamil Sáfady) em 1991.

A bandeira e o brasão

A bandeira de Piracanjuba tem três faixas (vermelha, branca e azul) e, ao centro, o brasão do município cercado por ramos. No escudo aparecem símbolos da terra: o gado e a indústria, o milho, a banana e a cana, e o peixe piracanjuba em vermelho; abaixo, uma cornucópia, símbolo da fartura. No alto, a data 22 de novembro de 1855, da criação do distrito de Pouso Alto.

Capital Goiana das Orquídeas

A Capital das Orquídeas

Em Goiás, Piracanjuba é oficialmente a Capital Goiana das Orquídeas, título concedido por lei estadual (nº 23.281). A cidade tem forte tradição no cultivo de orquídeas e uma comunidade organizada na Associação Piracanjubense de Orquidófilos (APO).

O ponto alto é a Exposição Nacional de Orquídeas de Piracanjuba, realizada todo mês de maio, ao longo de três dias, no Palácio das Orquídeas. A 43ª edição acontece de 22 a 24 de maio de 2026, com entrada gratuita, e reúne expositores e visitantes de várias partes do país.

Pela projeção do evento, a cidade também é divulgada como “Capital Nacional das Orquídeas”. É um título de divulgação do evento: o reconhecimento oficial, por lei, é o estadual (Capital Goiana das Orquídeas).

Uma espécie com o nome da cidade

Em 2023, pesquisadores da Universidade Estadual de Goiás (UEG)descreveram uma nova espécie de pseudoescorpião, um aracnídeo de poucos milímetros, encontrada no Parque Natural Municipal das Orquídeas José Pinheiro de Souza, em Piracanjuba. Ela foi batizada de Cheiridium piracanjubae em homenagem à cidade, que virou, assim, nome científico de uma espécie nova para a ciência.

Festas e tradições

A celebração mais tradicional é a Festa de Agosto, em louvor a Nossa Senhora d’Abadia, padroeira da cidade. É uma das festas religiosas mais antigas da região: a divulgação recente já fala em 194ª edição. Reúne novenas, missas e procissões, e tem como marca o tradicional leilão de 14 de agosto, realizado no adro, em frente à igreja, que mistura fé, cultura e o encontro da comunidade.

A cultura popular aparece também nas congadas, com grupos como a Congada Branca Marinheiros e a Verde Periquito, que se apresentam no Palácio das Orquídeas. Tudo isso convive com a cultura sertaneja goiana: a viola, as cavalgadas e a culinária de raiz, com milho, pequi, queijos e o doce de leite.

Datas e números de edições seguem a divulgação local; os registros oficiais da primeira festa não foram localizados. Tem fotos antigas ou lembranças das festas? Ajude a completar essa memória.

A terra do leite (e a marca que não fica aqui)

Piracanjuba é uma das maiores bacias leiteiras de Goiás. E aqui mora uma das curiosidades mais comentadas do Brasil: o nome do município batiza uma das marcas de leite mais conhecidas do país, a Piracanjuba, da empresa Laticínios Bela Vista. Pela própria empresa, a história começou na cidade de Piracanjuba, o que deu origem ao nome da marca. Em 2025 a marca completou 70 anos, com mais de 200 produtos derivados do leite.

A surpresa é que a fábrica e a sede não ficam em Piracanjuba. O parque industrial está, entre outras cidades, em Bela Vista de Goiás, município vizinho. Conta-se na cidade que a empresa, nascida aqui, acabou indo embora por falta de incentivos fiscais, e foi em Bela Vista que cresceu e se tornou uma das maiores empregadoras da região. Hoje a Laticínios Bela Vista é uma das maiores indústrias de laticínios do Brasil.

O que é registrado: o nome da marca veio da cidade de Piracanjuba e o coração industrial hoje fica em Bela Vista de Goiás. A versão de que a empresa “foi embora por falta de incentivos” é memória popular, contada de geração em geração na cidade. Resultado curioso: muita gente conhece “Piracanjuba” pelo leite antes de saber que é uma cidade.

Fé e devoção popular

A identidade de Piracanjuba é marcada pela tradição católica, herança da antiga freguesia de Nossa Senhora d’Abadia, que ainda hoje organiza o calendário da cidade em torno da fé.

Outra forte expressão da fé local são os Romeiros do Divino Pai Eterno. Todos os anos, no fim de junho e início de julho, comitivas de cavaleiros e muladeiros saem de Piracanjuba rumo ao Santuário do Divino Pai Eterno, em Trindade, sede da maior romaria religiosa do Centro-Oeste e uma das maiores do Brasil. Vestindo o azul do grupo, os romeiros encaram a estrada a cavalo para cumprir suas promessas e participar do tradicional encontro de carreiros, cavaleiros e muladeiros.

Um capítulo à parte é a religiosidade popular em torno de Romilda, a “Menina Milagreira”. Segundo a memória da cidade, ela foi uma criança vítima de um crime que chocou a comunidade, e em torno dela cresceu uma devoção espontânea, com ex-votos e relatos de graças alcançadas no cemitério local. É um ponto de fé popular que atravessa gerações e chegou a virar tema de reportagens e estudos.

Filhos ilustres

Gente nascida ou criada em Piracanjuba que deixou marca no Brasil.

Foto de Leo Lynce

Leo Lynce

Poeta· 1884 - 1954

Nascido em Pouso Alto (hoje Piracanjuba), Cyllenêo Marques de Araújo Valle adotou o nome literário Leo Lynce. Poeta, advogado, jornalista e juiz, é apontado como o iniciador do Modernismo na literatura goiana: seu livro Ontem (1928) é tido como marco inaugural do movimento em Goiás. Foi um dos fundadores da Academia Goiana de Letras, que presidiu em 1948 e 1949.

Foto de Thelma Reston

Thelma Reston

Atriz· 1937 - 2012

Atriz de teatro, cinema e televisão, com mais de 40 filmes, 30 peças e dezenas de personagens na TV. Estreou na novela Gabriela (1975) e passou por TV Globo, Manchete e Bandeirantes. Seu tipo marcante a levou com frequência a papéis cômicos. O último trabalho foi em Aquele Beijo (2011), como a Dona Violante. Morreu em 20 de dezembro de 2012, aos 75 anos, vítima de um câncer que enfrentava desde 2009.

Foto de Frankito Lopes

Frankito Lopes

Cantor· 1939 - 2008

Agílio Lopes da Silva, o Frankito Lopes, foi cantor e compositor de brega, bolero e guarânia, apelidado de Rei dos Bregueiros e Índio Apaixonado. Com sua persona indígena nos palcos, tornou-se um dos nomes mais marcantes da canção popular romântica do Centro-Oeste nos anos 1970 e 1980.

Foto de Carlos Magno de Melo

Carlos Magno de Melo

Escritor

Escritor, poeta e médico, com atuação literária em jornais e revistas. É autor do romance histórico Guaibimpará Caramuru, que recria a história de Diogo Álvares Correia, o Caramuru, e de Guaibimpará.

Foto de Ney Teles de Paula

Ney Teles de Paula

Desembargador· n. 1949

Natural de Piracanjuba, ingressou na magistratura goiana em 1978 e tomou posse como desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás em 2001. Chegou à presidência do TJGO e presidiu o Tribunal Regional Eleitoral de Goiás entre 2010 e 2011, em mais de quatro décadas de judicatura. Também é escritor e integra academias e institutos culturais, como a Academia Goiana de Letras e a Academia Piracanjubense de Letras e Artes.

Foto de Sebastião Melo

Sebastião Melo

Prefeito de Porto Alegre· n. 1958

Advogado e político do MDB, nasceu em Piracanjuba e mudou-se para Porto Alegre em 1978, onde fez a carreira. Foi vereador da capital gaúcha por três mandatos (2001 a 2012), presidiu a Câmara Municipal duas vezes, foi vice-prefeito (2013 a 2016) e deputado estadual do Rio Grande do Sul. Elegeu-se prefeito de Porto Alegre em 2020 e foi reeleito em 2024 para um segundo mandato.

Foto de Amauri Ribeiro

Amauri Ribeiro

Deputado estadual· n. 1973

Natural de Trindade, mudou-se para Piracanjuba aos 10 anos e fez na cidade toda a sua trajetória. Agropecuarista, foi vereador e prefeito de Piracanjuba antes de se eleger deputado estadual de Goiás em 2018, hoje no segundo mandato.

Foto de Jacques Vanier

Jacques Vanier

Humorista

Engenheiro civil de formação, Jacques Vanier virou um dos maiores humoristas da internet brasileira com o personagem agroboy, de camiseta xadrez e chapéu. Morou nos Estados Unidos, onde começou a produzir vídeos misturando o jeitão goiano com o inglês, e estourou com o bordão 'I am bão, e ocê?', nascido de uma tentativa de pedir pamonha e pão de queijo num drive-thru. Reúne mais de 6 milhões de seguidores no Instagram e leva seu humor sobre a vida no interior também para o stand-up.

Foto de Piquizinha

Piquizinha

Influenciadora

Luiza Cristina Rodrigues de Souza, a Piquizinha, é influenciadora digital natural de Piracanjuba e fisioterapeuta. Faz humor nas redes sociais e viralizou no país com vídeos emocionando o pai ao revelar sua aprovação e a formatura em Fisioterapia. No TikTok (@piquizinha) reúne mais de 3 milhões de seguidores.

Foto de Tiago Martins

Tiago Martins

Criador do 'Carros com Tiago'

Natural de Piracanjuba, Tiago Martins é o rosto do 'Carros com Tiago' (@carroscomtiagoo), um dos maiores criadores de conteúdo automotivo do país. Publica todo dia apresentando carros, comparando preços e dando dicas para quem vai comprar. Reúne cerca de 2 milhões de seguidores no Instagram e passa de 5 milhões somando todas as redes, além de mais de 500 mil inscritos no YouTube.

Você sabia?

Como se chama quem nasce aqui?

O gentílico é piracanjubense.

Pertinho da capital

Fica a cerca de 86 km de Goiânia, perto de 1 hora de carro.

A padroeira

Nossa Senhora d’Abadia, celebrada na tradicional Festa de Agosto.

O peixe que dá o nome

A piracanjuba (Brycon orbignyanus) está criticamente ameaçada de extinção.

O leite famoso não é daqui

A marca Piracanjuba leva o nome da cidade, mas a fábrica fica em Bela Vista de Goiás.

Capital das Orquídeas

Goiás reconhece a cidade por lei como Capital Goiana das Orquídeas.

A origem do "feito nas coxas"?

Conta-se que as telhas coloniais do antigo Pouso Alto, rústicas e irregulares, deram origem à expressão "feito nas coxas". É uma etimologia popular, contada na cidade.

Uma espécie com o nome daqui

Em 2023, a UEG batizou um pseudoescorpião novo de Cheiridium piracanjubae, achado no Parque das Orquídeas.

Anhanguera e a "Meia Ponte"

Conta-se que, por volta de 1732, Anhanguera cruzou o rio da região sobre duas pranchas; na volta, achando só uma, batizou-o de Meia Ponte, nome até hoje.

A Praça do Relógio

A Praça Guarda-Mor Francisco José Pinheiro, conhecida por todos como Praça do Relógio, é o principal cartão-postal de Piracanjuba: uma torre alta com relógio e sino, no coração da cidade, ponto de referência e de encontro dos moradores. Repare nos peixes desenhados no piso da praça, uma homenagem ao nome da cidade.

Conta-se na cidade que a torre teria sido um presente do governo e que o terreno, no passado, teria abrigado um antigo cemitério. São histórias da memória local: não encontramos documento oficial que as confirme, e seguimos buscando os registros.

Para conhecer

  • Palácio das Orquídeas: o centro de convenções que sedia a Exposição Nacional de Orquídeas, shows, festas e apresentações de congada.
  • Lago Afonso Dias Fernandes Sobrinho: cartão-postal de lazer, indicado por visitantes para caminhadas e passeios em família.
  • Viticultura Fonte Viva: fazenda de cultivo de uvas, com vocação para o turismo rural.
  • Turismo religioso: o túmulo da Menina Milagreira e as igrejas históricas da cidade.
  • Centro e vida sertaneja: praças, comércio local e a hospitalidade do interior goiano.

Hino Municipal

Formosa e amada terra de beleza primaveril. Exuberante vergel florido, suave aurora de encantos mil.

Piracanjuba cidade altaneira Soma progresso e altruísmo Flor mimosa que desabrochou Nos campos férteis do civismo.

Planalto goiano Terra querida Amor dileto Pleno de vida. Piracanjuba para os filhos teus És mães sublime És um pedacinho Deste Brasil.

Povo ordeiro, alegre e gentil Florescente marco da história Cidade centenária e querida Suntuoso monumento de glória.

Canção sublime de harmonia Que no coração goiano encerra Pinceladas de cores e melodias Poetizando as belezas desta terra.

Planalto goiano Terra querida Amor dileto Pleno de vida. Piracanjuba para os filhos teus És mães sublime És um pedacinho Deste Brasil.

Letra de Antônio Alves Magalhães. Melodia de Salim Miguel Tanus.

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Fontes

Conteúdo baseado em fontes públicas. Datas e fatos não documentados, bem como tradições orais, estão sinalizados no texto.

Página informativa e cultural, sem vínculo com órgão público.